Linha Estratégica Portugal Espaço 2030

Portugal Espaço 2030, a estratégia de investigação, inovação e crescimento para Portugal apresenta quatro objectivos estratégicos que são a base do plano de negócios das futuras actividades espaciais em Portugal.

Os quatro objetivos estratégicos publicados no Portugal Espaço 2030 são:

  • Promover o crescimento económico e a criação de empregos qualificados em Portugal, ao promover mercados relacionados com o espaço, nomeadamente através da captação e exploração de dados e sinais de satélite para vários sectores de actividade e abordando desafios da sociedade, incluindo na agricultura, pescas e oceanos e monitorização do clima; na monitorização de infra-estruturas, no desenvolvimento urbano, na defesa e segurança interna e no sector da saúde pública;

  • Fomentar a geração de dados de satélite através de novas tecnologias espaciais e infra-estruturas espaciais em Portugal, alavancando cooperação científica e tecnológica a nível internacional e transformando Portugal num forte actor no sector espacial, com foco nas novas indústrias relacionadas com o espaço (“novo espaço”);

  • Contribuir para o desenvolvimento do país e para o fortalecimento das relações diplomáticas e da cooperação científica internacional, tendo em conta as vantagens da posição geo-estratégica de Portugal para o sector espacial, e também com vista a partilhar o retorno obtido das actividades espaciais com países cujas com capacidades no domínio espacial estão ainda por desenvolver, principalmente países de língua portuguesa;

  • Assegurar o desenvolvimento e evolução de quadros jurídicos, financeiros, institucionais e de internacionalização cultural / educacional capazes de impulsionar o desenvolvimento do sector espacial em Portugal através de iniciativas nacionais e de cooperação internacional para a próxima década.

A visão é que em 2030, Portugal – uma nação Atlântica, com uma tradição marítima rica e global – seja amplamente reconhecido como uma autoridade mundial na ciência e economia das interações Espaço-Terra-Clima-Oceanos, aproveitando particularmente tecnologias de duplo uso para observação da Terra com especial foco em garantir interações espaço-oceano seguras e sistemas de ciência de dados (data science) que possam trazer benefício à sociedade.

Análise de Mercado e o Posicionamento único de Portugal

Tendências Globais e o Desenvolvimento do Setor Espacial

1.

A Globalização continuará a criar interdependências, mas também a desencadear governança fragmentada; bem como um aumento nas desigualdades (em diferentes formas, por exemplo, renda, idade, género, exclusão digital …) com possível aumento da migração devido, entre outras coisas , à instabilidade geopolítica;

2.

Desenvolvimento de tecnologias que continuarão a transformar as sociedades com as suas aplicações – digitalização; tecnologias quânticas (tais como as aplicadas à internet: inteligência artificial e fabricação avançada e indústria 4.0 , internet das coisas são apenas alguns exemplos);

3.

As mudanças climáticas, bem como a necessidade de gerir energia e recursos (incluindo segurança alimentar e fornecimento de água), serão intensificadas.

4.

Aumento da necessidade de acções de segurança de âmbito social e individual.

Estes desenvolvimentos irão ser impactados com a absorção de dados relacionados com o espaço – observação da Terra, bem como GNSS (Sistema de Navegação Global por Satélite) – transformados em informação acionável por uma multiplicidade de atores, incluindo decisores.

Pontos fortes específicos de Portugal:

  • Localização geográfica única no Atlântico;

  • Ecossistema empreendedor dinâmico para start-ups;

  • Maturidade da indústria espacial portuguesa (até agora maioritariamente no domínio do software), com a existência de um Cluster Espaço-Aeronáutica-Defesa desde 2017;

  • Economia em crescimento;

  • Desenvolvimento dada constelação de micro-satélites INFANTE para aplicações de observação da Terra (http://www.infante.space/);

  • As águas territoriais mais extensas da Europa;

  • Excelentes cientistas e engenheiros espaciais e uma pool de criatividade e entusiasmo;

  • Participação no consórcio europeu de Space Surveillance and Tracking, com ativos nas ilhas dos Açores;

  • Estabelecimento da Agência Europeia de Segurança Marítima em Lisboa (EMSA);

  • Estabelecimento do Atlantic International Research Centre, “AIR CENTRE”, para a cooperação sul-norte;

  • Criação do Azores International Satellite Launch Program, “Azores ISLP”.

As interações Espaço-Terra-Clima-Oceanos representam um contexto único emergente – tanto ambiental como económico – e Portugal está perfeitamente posicionado para aumentar, bem como ajudar a preservar e proteger as interacções do Atlântico e sistemas relacionados de “duplo uso”.

 

De um ponto de vista ambiental os oceanos são fundamentais para monitorizar e compreender as mudanças climáticas e a estabilidade daqueles está sob ameaça significativa da poluição.

 

Do ponto de vista económico os oceanos são importantes visto que suas condições afetam o setor de transportes, o setor de energia e o setor de alimentos. Como fonte de recursos limitados (e frequentemente ameaçados) sujeitos a interesses de exploração de muitas partes, uma alocação e supervisão justas podem ser conseguidas com mecanismos monitorização e inspeção adequados. Também se espera que o turismo ligado às actividades marítimas se desenvolva com o desafio de mantê-lo amigo do ambiente.

 

Do ponto de vista da segurança e proteção o transporte autónomo, a pirataria e o contrabando são todos elementos importantes, assim como alertas do sistema para ameaças como tsunamis e outras condições climáticas severas que podem representar perigo para zonas litorais e para a navegação recreativa. Sobre este último ponto, é expectável a procura de serviços ligados a Busca e Salvamento seja maior e que os serviços venham a garantir mais sofisticação e inter-operabilidade entre os meios terrestres/martímos e espacial.